Rondônia elege sua 1ª deputada federal negra: ‘Não é a cor que decide o caráter de alguém’, diz

Por Pedro Bentes, G1 RO — Porto Velho

Rondônia elegeu pela primeira vez, em 36 anos de existência, a primeira mulher negra ao cargo de deputada federal. Silvia Cristina se elegeu pelo PDT e foi a sexta mais votada no estado, com mais de 33 mil votos. Ao G1, a eleita afirma: “Não é a cor que decide o caráter de alguém”.

Nascida em Linhares (ES), a jornalista de 44 anos chegou a Rondônia em 2003. De família humilde e pequena, Silvia Cristina conta que seus pais sempre deram valor para a educação.

Filha de uma cozinheira e de um trabalhador braçal analfabeto, a jornalista conta que foi graças ao trabalho de seus pais que ela conseguiu terminar seus estudos e ingressar no ensino superior.

A futura parlamentar da Câmara Federal participou da primeira eleição em 2012, quando se elegeu vereadora pela cidade de Ji-Paraná (RO), distante de 378 km de Porto Velho. Foi a maior votação em proporcionalidade no estado, na época.

A entrada na política, segundo Silvia, não foi programada. A jornalista conta que recebeu um pedido do PDT em Rondônia, pois a sigla acreditava no seu potencial político. Após recusar o primeiro convite, a comunicadora decidiu aceitar o pedido.

Apesar de ser formada em pedagogia e ter sido professora, a futura deputada federal conta que acabou sendo “fisgada” pelo jornalismo. Começou a carreia no rádio e depois migrou para a TV.

Dentre as diversas bandeiras que um parlamentar se propõe a defender ao longo da vida política, Silvia Cristina destaca focar na saúde e assistência social, pautas defendidas por ela durante o mandato como vereadora.

Silvia Cristina se elegeu vereadora por Ji-Paraná em 2012. — Foto: Arquivo pessoalSilvia Cristina se elegeu vereadora por Ji-Paraná em 2012. — Foto: Arquivo pessoal

Silvia Cristina se elegeu vereadora por Ji-Paraná em 2012. — Foto: Arquivo pessoal

Luta contra o câncer

Após operar um câncer há mais de dois anos no seu estado natal, o Espírito Santo, a deputada eleita conta que quando retornou a Rondônia percebeu o quanto era complicado ter uma doença grave em solo rondoniense.

“Só havia uma máquina de radioterapia no estado e ficava mais quebrada do que funcionava. Algumas pessoas ficaram pelo caminho, mas eu sobrevivi. Após ter sofrido na pele, eu iniciei um trabalho para que o tratamento de câncer fosse diferente. O que tínhamos em Rondônia era desumano. Hoje caminhamos a passos largo com o Hospital de Amor da Amazônia em Porto Velho”, lembra a jornalista.

Ao longo de 36 anos de instalação, Rondônia teve apenas três mulheres eleitas para a Câmara dos Deputados e Silvia é a primeira negra a ser eleita no estado. Ao G1, a jornalista comenta sobre os percalços de sua condição social.

“Só ser mulher já é um grande desafio. Ser negra é um desafio ainda maior. Sempre digo que não é a cor que decide o caráter de alguém”, diz.

A deputada eleita ainda afirma: “As pessoas que me parabenizam pela vitória lembram que eu fui uma pessoa que não tinha muitas chances, mas que lutou de forma justa”, conta Silvia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *